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terça-feira, 28 de agosto de 2012

MARC QUINN






     Marc Quinn fez a  escultura de Kate Moss, a supermodel,  em tamanho natural intitulada Siren. Esta estátua de  50 kg  em ouro  18 K ​​foi avaliada em  £ 1,5 milhões. Inaugurada em Outubro de 2008 no Museu Britânico, como parte da exposição Statuephilia. A escultura pesa tanto quanto Moss, de acordo com o artista, e acredita-se ser a maior estátua de ouro feita no mundo desde os tempos do Egito Antigo.









MARC QUINN

   Faz uma escultura com seu próprio sangue congelado

E a cada cinco anos ele refaz essa escultura a fim de 


                                            mostrar os estágios do seu envelhecimento.



O artista plástico britânico Marc Quinn sempre chamou 

atenção do público por criar obras com materiais bem 

inusitados.

Estes materiais vão desde sangue até silicone, passando 

também por excrementos humanos entre outras coisas.

Um exemplo de seus milhares de trabalhos é o Eternal 

Spring, o seu cemitério de flores congeladas, conservadas 

artificialmente, que para ele é um paraíso que simula uma 

visão inacessível, como a eternidade.

O artista plático declarou-se

fã incondicional da modelo Kate Moss, focando sua arte       

sobre a beleza da modelo-ícone mundial. Com isso fez uma 

obra da modelo em pose de 

Yoga, e a denominou Sphinx.

Marc é um dos artistas contemporâneos mais respeitados 

atualmente, e cada vez mais famoso pela suas obras inu


sitadas e esculturas imensas feitas de mármore branco.




 Escultura em tamanho natural da modelo deusa Kate Moss, seu peso em ouro.




Mármore de Alison Lapper grávida,Trafalgar Square







https://www.youtube.com/watch?v=i1Ozcux9Hck

domingo, 26 de agosto de 2012

MOEBIUS, GIR OU JEAN GIRAUD


A arte de Mobieus inspirou filmes como "O Quinto Elemento", de Luc Besson, "Alien", de Ridley Scott, e "O Segredo do Abismo", de James Cameron.
Homenagens ao "gigante" dos quadrinhos e "um dos melhores artistas gráficos do mundo"























escultura de moebius


Caçador de Androides, Blade Runner, bebeu aqui!

video
deus trabalhando






Bridget Riley

Nascida em 1931 em Londres, Bridget Riley é um das mais conhecidos artistas britânicas. Desde os meados dos anos 60 se destacou por suas pinturas especiais,opticamente vibrantes experiências visuais que produzem complexo e desafiadorpara o espectador. Riley é definida como um das melhores expoentes da Op Art, com suas variações sutis na forma, tamanho e posição dos blocos ou células dentro de um padrão de composição. Bridget Riley é fascinada pelo ato de olhar, e seu trabalho não só tenta pegar o olho do observador, mas torná-lo consciente do processo de observação.














sábado, 25 de agosto de 2012

Álvaro Apocalypse


um dos mais talentosos criadores mineiros dos últimos 50 anos






“De 15 em 15 anos, o brasileiro se esquece dos últimos 15 anos”. A frase do escritor Ivan Lessa sintetiza bem a perversa relação que grande parte dos brasileiros sempre teve com a história de nossa cultura. Esquecer parece ser mesmo o verbo mais conjugado por aqui. Daí a importância do livro Álvaro Apocalypse, do crítico Márcio Sampaio, que acaba de ser publicado. Com o volume, que reúne parte do trabalho de um dos mais talentosos artistas brasileiros dos últimos 50 anos, a obra de Álvaro ganha, finalmente, um livro à altura de sua importância. Ao apresentar, para as novas gerações, a obra do artista, o livro ajudar a diminuir, pelo menos em parte, a amnésia brasileira.

Mineiro, nascido na cidade de Ouro Fino em 1937, Álvaro era um artista completo: foi pintor, ilustrador, gravador, desenhista, cenógrafo, professor, museólogo e publicitário. Mas foi mesmo como diretor do grupo de teatro de marionetes Giramundo que ele se tornaria mais conhecido. Morto prematuramente em 2003, aos 66 anos, ele deixou uma obra importante e ainda pouco conhecida do grande público.

O crítico Márcio Sampaio explica que a ideia de reunir uma parte da obra do artista mineiro em um livro era antiga. Surgiu um dia, ainda nos anos 1980, numa conversa que ele teve com o artista. “Quando Álvaro era vivo, eu insistia muito para fazermos o livro. Propus a ele, várias vezes, o projeto”, conta Sampaio, professor aposentado da Escola de Belas Artes da UFMG, e um dos maiores amigos do artista. “Mas ele era um homem muito discreto, simples. Não gostava que ficassem jogando confete nele. E, na hora H, sempre pulava fora e adiava o projeto”, conta.

Sampaio conta ainda que, se a princípio o livro abordaria apenas o período em que o artista criou e dirigiu o Giramundo, com o tempo ele se convenceu de que a obra não deveria se restringir apenas ao teatro de bonecos: “Quando fui convidado para fazer o livro, percebi que seria melhor fazer um livro com o foco não apenas no Giramundo. O volume deveria abranger um período maior. A obra de Álvaro é de uma riqueza impressionante”.



Álvaro Brandão Apocalypse nasceu no dia 14 de janeiro de 1937 na cidade de Ouro Fino em Minas Gerais. Foi pintorilustrador, gravador, desenhista, diretor de teatro, cenógrafo, professor, museólogo, publicitário e um dos fundadores do Grupo Giramundo.

No início do ano de 1950, o artista iniciou seus estudos em Belas Artes com Alberto da Veiga Guignard, onde posteriormente começa a dar aulas. Também estudou gravura em metal, e litografia na Escola Guignard. Graduou-se em direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Ele foi solicitado para fazer desenhos animados para campanhas publicitárias, onde ilustrou em revistas e jornais da época. No ano de 1960, as festas típicas populares passaram a ser seu tema predileto, onde aperfeiçoou a técnica de pastel e começou a produzir gravuras.
Um dos destaques de sua arte foi o surrealismo, que o rendeu o premio de viagem ao exterior no Terceiro Salão da Aliança Francesa no ano de 1969. Em Paris, cursou a História do Desenho na Escola do Louvre. Ganhou vários prêmios, entre eles o Moliére, Trofeu Mambembe, João Ceschiatti e o Grande Premio da Crítica.










2º concurso de talentos de Design FORD 
25/08/2012 a 10/10/2012

A Ford anunciou a segunda edição do Concurso Talentos do Design, que vai dar um Ford Ka ao criador da melhor proposta para o EcoSport 2022, além de outros prêmios. Os dez projetos finalistas também serão expostos no espaço Ford Design 2012, durante o Salão do Automóvel, concorrendo a mais um prêmio pela votação popular.
O concurso é aberto a estudantes de desenho industrial, design gráfico ou de produto. As inscrições poderão ser feitas de 3 de setembro a 10 de outubro na página da Ford no Facebook (www.facebook.com/fordbrasil), onde também está disponível o regulamento.
Na fase de pré-seleção serão escolhidas as dez melhores propostas, que ficarão em exposição no estande da Ford no Salão do Automóvel, de 24 de outubro a 4 de novembro. Dentre estes, uma comissão julgadora escolherá os três vencedores, com base nos critérios de criatividade, originalidade e fundamento da proposta. O primeiro colocado ganhará um Ford Ka e uma mesa digitalizadora Cintiq, o segundo colocado, uma mesa digitalizadora Cintiq e o terceiro colocado, um MacBook Apple Pro. O projeto escolhido pela votação popular também dará ao vencedor um vale-compras da Apple no valor de R$1.500.

*Fonte: Assessoria

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


23/08/2012

Inscrições estão abertas para o Prêmio Marcantonio Vilaça, Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, Rede Nacional Artes Visuais e Bolsa de Estímulo à Produção em Artes Visuais

A Funarte está com inscrições abertas, até 1º de outubro, para o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 9ª Edição e Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União de hoje, 16 de agosto de 2012.
Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça – O edital visa incentivar produções artísticas destinadas ao acervo das instituições museológicas públicas e privadas sem fins lucrativos, fomentando a difusão e a criação das artes visuais no Brasil e sua consequente formação de público. Serão contemplados 15 projetos, com premiações de R$ 70 mil a R$ 350 mil.
XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia – O objetivo é estimular a valorização da linguagem fotográfica por meio de produção, pesquisa, criação, reflexão, documentação e circulação, contribuindo assim para a consolidação de um campo específico da fotografia no âmbito da economia da cultura. Serão contemplados 45 projetos, no valor de R$ 50 mil cada, distribuídos em três módulos: inéditos de criação, documentação e produção de reflexão crítica sobre fotografia, visando à difusão, ao fomento, à reflexão e à produção fotográfica.
Programa Rede Nacional Funarte Artes – 9ª Edição – O edital visa fomentar a reflexão e o debate sobre as artes visuais, desenvolver instrumentos de capacitação para artistas e técnicos do setor e promover a circulação dos profissionais da área por todo o país, além de estimular a formação de público. Serão selecionados 30 projetos que promovam o intercâmbio inter-regional por meio de um conjunto amplo de atividades e experimentações ligadas às artes visuais, tais como: oficinas artísticas, oficinas de qualificação, workshops, palestras, performances, instalações, novas mídias, seminários, intervenções, exposições, atividades pedagógicas e pesquisa de linguagem. O valor da premiação para cada contemplado é de R$ 100 mil.
Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais – O objetivo é fomentar a formação de artistas e demais profissionais das artes visuais e a produção de arte contemporânea brasileira, dando possibilidades às experimentações das linguagens, de técnicas e de poéticas, além de estimular a reflexão e o debate sobre as artes visuais. Serão selecionados dez projetos na categoria Bolsa Estímulo à Criação Artística e cinco na categoria Bolsa Estímulo à Produção Crítica. Cada contemplado receberá R$ 40 mil.
Acesse abaixo os editais e anexos:









http://xumucuis.wordpress.com/

terça-feira, 21 de agosto de 2012

RUBEM GRILO


goiva desenharia









RUBEM GRILO

Rubem Grilo (Pouso Alegre - MG, 1946) realizou as primeiras xilogravuras em 1971. De 1975 a1985, ilustrou diversos jornais: Opinião, Movimento, Folha de São Paulo, Retrato do Brasil, entre outros. Publicou em 1985, pela Circo Editorial, um livro com os trabalhos realizados entre 1980 - 1985. Entre outros prêmios, recebeu, em 1992, o 2º Prêmio da XYLON Internacional (Suíça). Tem trabalhos publicados em revistas especializadas como a Graphis e Who's Who in Art Graphic (Suíça), Idea (Japão), Print (USA), entre outras. Participa, este ano, da XXIV Bienal Internacional de São Paulo.
Reside no Rio de Janeiro.



































RUBEM GRILO - CAMINHOS DA RAZÃO
Às vezes Rubem Grilo parece trabalhar como se faltassem palavras para um universo e fosse necessário torná-lo presente em imagem. É como se Grilo pensasse com a faca de gravar, pensasse gravando. Pensar seria um corte na matriz. Nos últimos anos, Rubem Grilo foi acometido de uma estranha enfermidade. Existe no ar uma epidemia de imagens. O artista tem gravado milhares, muitos milhares de pequeninas matrizes que proliferam. O resultado é um inventário vasto, embora deliberadamente incompleto, que contradirá todo furor clasificatório. É como se Grilo esculpisse cada nota de uma monumental sinfonia. Por vezes, o que se anuncia é um (des)concerto: " O trabalho tem muito de orquestração, como um Debussy, que põe uma nota e se entusiasma por ela. No fundo a linha, o ponto têm uma coisa musical". O conjunto gravado é um imenso exercício de reconhecimento do espaço. Frente a essas áreas mínimas, Grilo vai gravando, operário de uma fábrica acelerada. Conclusivamente parece emergir uma constituição fenomênica do fluxo do tempo, para além do tempo interno de cada imagem e da dimensão pessoal da duração. O que se encontra, então, é uma pauta mutante de uma miríade de tempos condensada em rio do tempo. As minúsculas gravuras são efemérides, espiral do tempo, circularidade e ciclos incompletos, sincronia e diacronia, recortes do vazio, devaneios barrocos, desconstruções temporais, descontinuidades e interrupções, jogos da memória. Ao cabo, é uma obsessão do espaço, refeito cada vez - às vezes quase não importa qual imagem, mas sim o fato de que o plano se desdobra no tempo através do surgimento incessante de imagens. A essa existência autônoma emergente do espaço corresponde no conjunto a construção de um sobre tempo.
Série Pregos para kit multiusoEssas pequenas jóias comportam-se freqüentemente - e nem sempre- como verdadeiros exercícios zen. "Meu trabalho é despossuído de certezas, solapa qualquer idéia de dar substância. É uma parábola da impossibilidade de fechar as coisas", declara o artista, que acrescenta sobre sua exposição: " O que dá concistência ao conjunto não é a forma, mas a linguagem da forma, a estrutura da forma, mais a individualidade que age neste campo". Bachelard, em O Direito de Sonhar, afirma que para o gravador a matéria existe e que existe uma vontade matérica: o verdadeiro gravador começa sua obra num devaneio de vontade. Já Riva Castleman discute ainda como a matéria da xilogravura é operada por uma simplicidade básica. Isso parece ser o tema visual, econômico e ético da obra recente de Grilo. O artista deseja por a nu a simplicidade, que é também o que tem dado coesão àqueles distintos níveis de seu trabalho gráfico. Existe um humor instigante ao denominar sua exposição" obra menor", porque Grilo promoveu uma virada radical na economia da obra. O intenso investimento aparentemente se dispersou em milhares de matrizes minúsculas e suas impressões parecem perder todo sentido de utilidades.
VinhetasCada gravura é tomada como um módulo e a articulação dos módulos cria uma linha gráfica, que em sua inserção no espaço da galeria absorve a função de um friso se o " ornamento" arquitetônico não é da ordem dos efeitos arquitetônicos ociosos, mas um mecanismos para disparar o pensamento. Com as montagens, às quais Rubem Grilo tem se dedicado (MASP, 1992), as xilogravuras deixam o campo extremamente circunscrito e privado do seu fazer e fruir , deslocando-se para uma esfera pública. A soma visual rearticula o lugar do intenso investimento da ação gráfica. A adição visual de gravuras não será, nesse caso, "negação", mas transformação da imagem minúscula e íntima numa questão de espaço arquitetural, quase monumental, próximo da idéia de instalação. A escala torna-se corporal, mesmo se projetada por aquilo que, individualmente, é dimensão do olhar delicado. Para o artista, a exposição, que mostra umas quinhentas imagens, projeta "transferir para a sala os mesmos problemas da mariz. O tamanho é tanto questão de escala quanto de interiorização. Ao interiorizar a imagem, muda-se a escala. A matriz, sua presença, reintroduz e reforma a questão do micro".
Série Cachimbos para fumantes inveretadosFormas mais ou menos estáveis, mais ou menos reconhecíveis, algumas no limite de nada ser, como se cada imagem buscasse o limite de sua função objetiva de ser arte, quase não presença. Representação e abstração se equivalem depois de décadas de modernidade.. Tudo pode ser encontrado aqui: zeros e pontos (eles parecem recitar Kandinsky) : a ressonância do silêncio, habitualmente associada ao ponto, é tão forte como suas outras propriedades aí se encontrassem ensurdecidas), um Amílcar minúsculo (como no pequeno retângulo preto iluminado pelo corte, a partir do ângulo superior direito, por uma linha branca em diagonal), falsas estruturas e pernilongos monumentais ( alguns chegam a medir alguns centímetros), signos da simplicidade gráfica, vinhetas e letras de alfabetos parciais. Por vezes há uma ironização do minimalismo excessivo. O olhar hesita entre tudo reduzir a uma massa gráfica homogênea, a um fluxo uniforme de tempo, ao saldo consolidado do investimento da fatura; e deter-se na percepção de cada minúcia e seu monumento. Se as gravuras uma a uma são um quase nada, no conjunto formam uma teia de procedimentos, de imagens, de signos, de formas que recuperam uma legibilidade, reconformam um discurso. Incessantemente, o olhar pode buscar um sentido único, hesitar entre as ofertas do contínuo e do descontínuo. Mas nunca encontrará porto.
Paulo Herkenhoff





Para ele, a xilogravura sempre foi uma expressão da comunicação, desde a  Idade Média. Grilo não fez mais que retomar uma arte de priscas eras.  Sua exposição na Caixa, harmoniosa e assustadora, não traz trabalhos em série. Ele brinca que poderia desenhar uma moça na janela, uma moça na janela de costas, uma moça na janela com o vestido amarelo ou uma moça numa janela amarela e assim consecutivamente.
“Não, não faço trabalhos em série. Cada trabalho é filho único. Se fosse pra repetir, não precisava fazer mais nada. Tudo o que foi feito fica zerado depois de pronto. É como se o taxímetro estivesse sempre na bandeira zero”, explica, em leve ironia.
Para o artista, o primeiro limite de um gravador, no caso específico, é o material. A madeira tem uma dignidade tão absoluta que não se pode permitir que seja destruída, comenta. A madeira é uma matéria, já a gravura é uma expressão. A madeira tem um peso, a expressão é leve. E a técnica, prossegue Rubem Grilo, existe para que o artista compreenda a textura do material, a resistência da matriz onde ele desenhará.
Depois de muitos anos, ao ver uma charrete sendo conduzida no sul de Minas, descobriu o pau-marfim, madeira nobre também em extinção, como tantas no Brasil. “A base do meu trabalho é o desenho e o desenho é uma escrita que vem desde as cavernas”.
Para ganhar a intimidade com a madeira, Rubem Grilo sempre andava munido de uma faquinha e outras ferramentas, como um médico anda com seu bloco de receitas. Assim, por onde passava, ele dava um pequeno corte, para conhecer a matéria. Gravura é desenho e gravação. A impressão é o desfecho e puramente mecânica.
Ele se equilibra com tenacidade e exige de si um tempo de mergulho sobre a obra. Não importa o tamanho. Ele volta à madeira várias vezes, gastando em média, para trabalhar numa única obra, 150 horas. Trabalha em câmara lenta. Se a xilogravura é uma técnica estática no tempo e que não mudará nunca, a mudança possível está no diálogo interior do artista com a matéria. A propósito, ele lembra o alemão Albrecht Dürer. Este é o caminho das pedras, reconhece, e é preciso pular de uma pedra pra outra, sem pressa, sem querer superar obstáculos naturais.
Rubem Grilo começou a realizar xilogravuras em 1971. Mas, coisa de doido, sô, no ano seguinte queimou mais de 300 obras. E mesmo já reconhecido mundialmente, só emplacou mesmo, por um grande acaso, quando expôs no Parque Lage e aconteceu a morte de Glauber Rocha que ali havia filmado seu Terra em Transe e onde seria velado. O corpo de Glauber ficou exposto no meio da exposição de Rubem Grilo e muitos pensavam que se tratava de um cenário próprio pra aquele momento. O fato chamou a atenção do crítico e ensaísta Frederico Morais.

Outra citação: Rubem se lembra de que Goethe recomendava a um artista, o que vale para qualquer experiência humana, que você faça um círculo à sua volta e cave profundamente. “Você precisa compreender o seu limite e a chance de mergulhar é permanente. É um trabalho de escavação”.
Celso Araújo








Video do Grilo                                                                                
video


O PROCESSO COMO INVENÇÃO
Na fronteira entre a forma e o vazio, surge a linha de Rubem Grilo.
Perambula pelo mundo dos sonhos, negro lado obscuro a dominar a cena e a sussurrar um mundo paralelo, que escapa da racionalidade e ironiza o mundo real. Em seguida, volta às profundezas, deixando a ausência transmitir o seu complemento. São formas que constroem o inconsciente com o preto e o branco. O diálogo em que a escuridão revela e a luz subtrai serve de porta de entrada para um universo imagético e instigante, no qual o pensamento é completo e profundo e não se revela linearmente.
Em sua obra, é possível distinguir uma idéia dentro de outra idéia, aprofundando a significação das coisas, por meio de um fio condutor que se assemelha à memória de um mundo desconhecido e onírico. As formas e figuras que povoam a folha de papel ou as entranhas da madeira se evaporam em poeiras gris, para se tornarem a essência: a linha. Aos poucos, o pó do grafite se altera em caminhos, nos quais a lâmina mergulha mais fundo, atravessando a superfície e expondo a síntese das coisas. Até então, o mundo, que parecia impossível, torna-se incisivo e domina o real. Convicta, a imaginação se estabelece como objeto.
Há em Grilo uma ampla liberdade de criação, que lhe possibilita avançar em territórios dispares com a mesma desenvoltura e consistência. O humor, a solidão, a densidade do drama humano e a construção de uma idéia pura sem excessos convivem com o barroco. Intrínseca a esses diálogos, a inteligência prevalece num universo em que, tratando-se da criação, tudo é permitido
O artista chega à maturidade de sua obra com o desembaraço de uma criança. Criou para si um dicionário que contém a linguagem de um mundo de personagens, plantas, bichos, e um sistema gráfico em que coabitam diversos elementos. Rubem tem uma curiosidade pelas coisas do mundo extremamente aguda. Pode passar horas lendo sobre teses relativas à formação da galáxia, analisando plantas, observando comportamentos e biótipos, refletindo acerca da sociedade, da literatura, do cinema, da música e da história. E talvez isso seja o elemento que lhe possibilita a construção de um universo tão particular e abrangente, pois uma obra é a soma de todos os detalhes da personalidade de um artista.
No processo de trabalho do artista, a imagem concentra-se originalmente no desenho. A gravação implica a desistência e a transformação deste em algo corpóreo, matérico. A dimensão física ganha a espessura tridimensional na matriz, sua presença no mundo real. Nesse estágio, o artista desiste mais uma vez de sua conquista e, pela impressão, retorna à superfície planar, para então ganhar o mundo e se espalhar.
Ao propagar-se, descobre-se contaminado por um pensamento múltiplo de extrema força poética. O olhar subjetivo de Rubem Grilo ganha a dimensão massiva, gráfica, de largo alcance. A multiplicidade dá ao desenho um novo significado, como um ser que, ao assumir o processo como invenção, vai trocando de pele, até atingir seu estado pleno.

fevereiro de 2009
Adriana Maciel